Antenas Espirituais

É triste que a maioria das pessoas que se dizem crentes têm pouca comunhão com o Deus Trino: O Pai, Filho e Espírito Santo. Elas fazem o máximo de coisas “Cristãs” que sabem, ou estão dispostas (ou podem) fazer. Mas a grande maioria da Cristandade tem, aparentemente, trocado aquilo que Jesus tinha com o Pai por um estilo de vida opcional baseado em princípios piedosos. Não é mais um relacionamento, uma comunhão, um compartilhar da mesma vida. A intenção de Jesus é, pelas suas próprias palavras, que sejamos um assim como Ele e o Pai são um. E o Seu desejo intenso é que o Pai, Filho, e Espírito Santo viessem morar em nós para então pudéssemos morar com Ele, permanecer nele, fazer a nossa habitação nele e ter Ele habitando em nós.

O processo inteiro, como Jesus definiu, era que Ele estará COM nós e agora estaria EM nós. E toda a natureza da nova aliança, a coisa que Deus queria fazer no planeta terra, não seria como a velha aliança, em que um homem falava para o seu vizinho: “faça a coisa certa, conheça o Senhor, obedeça este mandamento, viva desta maneira em vez daquela”. Você sabe o que causa muita da frustração que pessoas acabam assumindo? É que elas pegam os princípios da nova aliança e aplicam da maneira da velha aliança. “Qual é a coisa certa a fazer? Como faço esta coisa certa? Como um crente agiria nesta situação? Alguém me diga, qual é a ação correta para um crente? Não aquelas coisas fracas, mornas, das denominações—mas aquilo que é REAL! Eu quero fazer as coisas DE VERDADE, o que um VERDADEIRO crente faria. Me diz quais são todas estas coisas e eu serei um super crente! Serei ambicioso e farei tudo aquilo que um VERDADEIRO crente faz, não apenas um domingueiro”.

Mas tudo isso é uma maneira frustrante e vazia de viver. É uma vida de confusão, porque parece que você nunca consegue manter o ritmo. Você nunca sabe exatamente quem deve agradar ou o que deve fazer. Então você acaba num ciclo frustrante de um estilo de vida Cristã mais superior, ao invés de ter exatamente aquilo que a nova aliança era para dar: comunhão com Deus, e Vida em comum com Ele.

Bem, e então, onde é que todos estes ensinamentos entram nisso? Qual é o valor de todos estes princípios, todas estas coisas a serem obedecidas, esta maneira certa de viver ou não viver? Será que todas estas coisas não têm valor algum? Será que podemos ignorar todas estas coisas porque: “ao final das contas, vivemos na era da graça, e não da lei?” Podemos desprezar todos os ensinos e mandamentos de Jesus, mesmo que Ele nos disse para ir a todas as nações e ensinar tudo que Ele ordenou? “Bem, não há razão de obedecer Jesus e ensinar às pessoas os Seus mandamentos porque vivemos debaixo da graça e não debaixo da lei. Não é mais necessário ter ensinamentos e mandamentos na nova aliança”. É óbvio que isto não é o caso. Isso é ridículo.

Então parece que a alternativa é obedecer a todos estes mandamentos, e cumprir todas estas coisas na maneira do velho testamento, como a lei levita que regulava quantos passos às pessoas poderiam dar num sábado. Só que hoje, eu suponho, seria quantas pessoas são necessárias para trocar uma lâmpada. O jeito sofisticado do Cristianismo diria que leva um certo tanto de crentes para trocar uma lâmpada. Errado! Que tolice, não diria? Na melhor das hipóteses, é uma maneira superficial de ver a nova aliança.

E então, o que tem estes mandamentos e ensinamentos a ver? Todos estes princípios, estes padrões de viver pelo Espírito, ter comunhão um com o outro e andar na luz—o que tudo isto tem a ver? Talvez a melhor ilustração pode ser achada na serie do filme “Star Trek” que se refere ao “Borg”.

O Borg era, em sua essência, um grande pedaço de sucata flutuando no espaço que serviu como nave espacial do povo Borg. Essas pessoas tinham uma comunhão uma com a outra, um tipo de “mente comum”. Todos eram ligados. Seus pensamentos e emoções eram, como 1Cor. 12 diria: “Quando uma parte sofre, o corpo inteiro sofre”. Foi um excelente paralelo do reino, em várias maneiras, porque havia esta consciência comunitária. De um certo modo todos eram moldados juntos como sendo um. Mesmo sendo muitos, eram um só corpo. O paralelo era bem forte.

Isso é realmente, o que Deus tem em mente para nós: que regozijemos juntos e sofremos juntos. Quando uma parte sofre, o corpo inteiro sofre, e a mão não deveria dizer ao olho, “Não preciso de você” (1Cor. 12, 1Cor. 2 e outros). Ele quer que sejamos fundidos em uma mesma consciência coletiva de existência com o Pai, Filho e Espírito Santo assim também com o corpo do Filho (a verdadeira igreja: aqueles que são comprados pelo sangue de Jesus e guiados pelo Espírito, sendo assim filhos de Deus).

E então, o que tudo isso tem a ver com estes mandamentos que mencionamos, estas atitudes? “Regozije sempre”. Isso é um mandamento. Está no imperativo. Não é escolha para um seguidor de Jesus de não ser uma pessoa cheia de gozo. Absolutamente não há nenhuma maneira de obedecer Jesus e ser um chato com suas atitudes, focalizado em si mesmo, introspectivo, crítico, preguiçoso, orgulhoso, tímido e distanciado. Nenhuma destas coisas caracterizam a personalidade de Cristo. Então são pecados. Mas você precisa entender o que acontece quando decide ser qualquer uma destas coisas, cheio de autopiedade, murmuração, preguiça, ou um coração defensivo ou crítico. Qual é o problema em ser desconectando da cabeça assim ou em agir como um “bonzão”, brincando com pecado? O problema é exatamente esse: você está se desconectando da cabeça.

Toda vez que você deixa medo, cobiça, egoísmo e outras coisas entrarem em sua vida, o que está realmente acontecendo é que as suas “antenas espirituais” estão descendo. Você está se desligando exatamente daquilo que permite você ser um com o Pai, Filho e Espírito Santo. É igual o nariz do Pinóquio, para emprestar ainda outro exemplo. Toda vez que Pinóquio mentia, seu nariz crescia. E toda vez que você mente ou exagera, toda vez que você tem algum tipo de problema com sua atitude (seja ela de crítica, medo, preguiça ou qualquer outra), suas antenas descem. Desce uma nuvem sobre seus olhos até que você realmente não pode ser um com o Pai, Filho e Espírito Santo; não pode ter verdadeira comunhão com Deus, ter coisas em comum com Deus. Você está deixando de aproveitar a sua herança de ser um com Pai, Filho, e Espírito Santo.

Você já parou para pensar porque você é tão só? Já pensou porque é tão impotente, porque tem pouca sabedoria, e tão poucos relacionamentos genuínos? Talvez seja porque você esteja deixando outras coisas entrarem em sua vida que estão escurecendo a sua visão e forçando as suas antenas para baixo para que você não possa receber comunhão com Deus (seja uma voz audível ou um simples coração e mente em comum). Lembre o que Paulo disse em 1Cor. 2: “Temos a mente de Cristo”. Nem olhos viram, nem entrou no ouvido, ou coração ou mente humana o que Deus tem preparado para aqueles que O amam. Quem pode conhecer o Espírito e a mente de Deus? Quem pode conhecer os pensamentos de Deus a não ser o Espírito de Deus. E nós temos este Espírito, de acordo com Paulo. O homem desconectando de Deus não sabe nada. Tudo o que é de Deus é tolice para ele. Ele não entende, ele não se importa, ele não gosta disso, incomoda ele.

Mas Paulo disse que aqueles com a mente de Cristo, com o Espírito de Cristo, têm suas antenas bem altas porque têm feito boas decisões sobre suas atitudes, pensamentos e como se relacionar com outros e como ver as coisas deste mundo e seus bens. Porque fizeram boas decisões, as antenas estão estendidas. Eles se tornam um com o Pai, Filho e Espírito Santo cada dia mais. E consequentemente, eles automaticamente tornaram-se um com todas as outras pessoas que têm feito o mesmo. É este o propósito destes mandamentos e decretos. Não é para merecer a benção de Deus. Não é para merecer salvação. Mas é para ser consumido pelo nosso destino de ter comunhão com O Criador do Universo e ter a mente e O Espírito de Cristo: sentir o que Ele sente, ver o que Ele vê, conhecer o que Ele conhece.

Toda a revelação de Deus está em Cristo Jesus. E este homem, Cristo Jesus, vive em nós se somos verdadeiramente dele, e se não estamos apagando o Espírito de Deus pelo nosso egoísmo, nossa tolice, ou nossa preocupação conosco mesmo e com outras coisas. Ele vive através de nós quando obedecemos o mandamento de regozijar sempre, ao invés de reclamar em autopiedade. Estas coisas são muito importantes se é que não vamos só ser mais uma estatística de alguém que morreu; alguém que usou o nome de Jesus por muitos anos, mas nunca teve nada que demonstrasse isso. Alguém que nunca experimentou Cristo. Alguém que conhecia coisas sobre Ele e fez todas coisas que um bom crente faz, mas nunca fez Cristo sua experiência. Por que? Por causa daquelas coisas que passam desapercebidas por outros: manter uma lista de ofensas no coração, segurar atitudes de amargura ou ressentimento, reclamar em nosso íntimo de algo que não gostamos sabendo que Deus tem algo para nós, mas a gente acha que temos uma idéia melhor. A nossa preferência é diferente da preferência de Deus, então nos travamos e tentamos nos justificar de qualquer jeito.

Qualquer que seja estas coisas, o que mais temos feito é isolarmos de um Deus que está estendendo Suas mãos a nós em amor, dizendo: “Venha, venha comigo meu amado. Venha estar comigo. Venha ser um comigo”. Paulo disse aos Coríntios que ele queria apresentá-los como uma virgem pura ao Noivo, Jesus Cristo. Ele queria trazê-los a um lugar de comunhão, de unidade com o Pai, Filho e Espírito Santo. Este é o alvo de Deus para nós. Mas quando você escolhe ser egocêntrico, ou instável, egoísta ou cabeça-dura, ou zombador, ou seja, lá o qual for o seu caso, não é Deus quem você está machucando. E não vai machucar ninguém que está em comunhão com Deus, mas você vai machucar a si mesmo bastante. Suas antenas vão descer, seus olhos escurecerão, as coisas vão parecer bem feias e fora de proporção. Aquele que tem muito será dado ainda mais. Aquele que tem pouco, até aquilo que ele tem será tirado.

As escolhas que tomamos, até nas coisas mais simples (como tratamos as situações “triviais” que entram nas nossas vidas), vão profundamente afetar a nossa comunhão com o Criador. Como reagimos para com o que pensamos daquilo que alguém fez a nós, por exemplo, não é uma pequena questão. Seja qual for a sua questão (como vê os seus bens, sua perspectiva de bebês, seus filhos etc.) como você reage a elas terá um efeito direto em se progredir mais à presença de Deus e à mente de Cristo, ou vaguear para longe de ser conectado a Deus e se tornar (como aconteceu com muitos dos Coríntios) como “mero homem”. Paulo disse isso a eles com grande angústia de coração e com relutância. Mas tinham, por causa de suas escolhas, se tornado como MEROS homens. Que patético. Que triste.

O convite de Deus é para chegar em Sua presença. Como podemos seguir neste processo? É algum tipo de grande experiência onde ficamos em pé e alguém nos dá uma testada? Muita gente já experimentou isso, mas, volte a conhecê-los um mês depois e veja se realmente trouxe valor à suas vidas. A possibilidade é de que 1 em 10.000 teve algum valor agregado as suas vidas por se esparramar e rolar no chão, fazendo barulho ou desmaiando. Muito poucas são às vezes em que este tipo de coisa tem algum valor ao longo prazo. E as poucas vezes que tem, foi só porque aquela pessoa decidiu obedecer a Deus nas pequenas áreas da vida igual àquele que não caiu no chão. O convite não é para procurar algo dramático, mas procurar pela pessoa de Jesus de Nazaré, a Palavra que “tornou-se carne e habitou por um tempo entre nós”. Por que? Para que possamos entrar no caráter e personalidade de Cristo.

“Deixe esta mente (esta personalidade) que estava em Cristo, estar em você”. Ele tornou-se um escravo, Ele se fez nada. Ele serviu com coração alegre. Ele amou aqueles que O perseguiram. Mesmo eles sendo pecadores, Ele estava disposto a morrer por eles. Enquanto na cruz, açoitado a ponto de não ser reconhecido, sangrando até quase um “coma” de agonia e dor, algumas das últimas palavras que Ele proferiu foi pelos outros. Enquanto Ele estava devastado fisicamente, eletrificado pela agonia, quase em coma, Ele ainda pode se interessar pelo homem na cruz ao Seu lado. Ele pode estender Sua mão àquele homem e dizer: “Rapaz, eu amo você. Aquela humildade que vi agora mesmo, aquela faísca de arrependimento…Bem vindo ao Reino de Deus. Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

Jesus não estava lamentando sobre sua situação RUIM. Ele não estava considerando o fato que Ele era inocente e estes dois homens eram culpados, embora Ele é quem apanhou 10 vezes mais do que aqueles outros dois. Ele não estava irritado com isso. Ele estava ocupado se preocupando em como Ele poderia redimir a situação. Mesmo dentro da sua própria dor, Jesus ainda estava olhando para fora de Si. As últimas palavras que saíram da Sua boca (antes de “Tenho sede” e “Está consumado”) foram essencialmente “Eis aí, mãe, o seu filho. João, eis aí a sua mãe”. E daquele dia em diante, João viveu com Maria. Veja: Ele ainda está olhando para os outros. “Mãe, Eu quero ver as suas necessidades serem supridas. João, esta senhora te fará muito bem. Vai ser um bom relacionamento. Eu quero que vocês tenham um ao outro pelo resto de suas vidas”.

Deixe esta mente, esta personalidade, estar em você a tal ponto que você se interessa por outros ao seu redor tanto que você nem considera a sua cruz. Ao invés de se queixar sobre sua situação, você está sempre olhando para seu lado para ver como você pode entregar a sua vida pelos outros, para amar os outros. Este tipo de escolha sobre que tipo de personalidade vamos ter, que tipo de mente vamos ter, resultará em nos tornarmos mais e mais um com o Pai e Filho e o Espírito Santo. É um convite, não só para usar Seu nome, mas embeber, tomar para dentro de si mesmo, Seu Espírito, Sua vida e Sua comunhão com o Pai.

17/7/1996